SÃO PAULO - Em semana marcada por pregões com forte volatilidade por conta das incertezas sobre a situação econômica dos EUA e da Zona do Euro, o Ibovespa chegou a cair 8,08% no primeiro pregão da semana repercutindo o corte do rating dos EUA pela S&P, mas engatou uma sequência de quatro altas e fechou a semana com avanço de 0,99%, aos 53.473 pontos.
Destoando da forte volatilidade no mercado de ações nesta semana, os dois papéis da Usiminas que fazem parte da composição do Ibovespa tiveram as maiores altas semanais da carteira teórica, registrando valorização de mais de 20% cada. As ações PNA subiram 25,70% no acumulado desses cinco pregões, fechando a R$ 13,45. Já os papéis ON fecharam a R$ 26,77, acumulando alta de 20,31%.
Enquanto isso, as ações da Marfrig recuaram 27,83%, cotadas a R$ 8,66 cada, na semana que se estendeu do dia 8 até 12 de agosto, liderando as perdas dentre as ações que compõem o Ibovespa. Os papéis da empresa, que já haviam tido a maior queda do Ibovespa na semana anterior - com expressiva baixa de 21,05% - voltaram a cair por motivos desconhecidos pelo mercado, embora rumores indiquem para a saída de um grande investidor do papel, no caso, um fundo alavancado, que estaria reduzindo sua posição na empresa.
Petro e Vale
As ações da Petrobras fecharam a semana com sinais opostos. Como parte da proposta de dobrar a produção de etanol nos próximos 10 anos, a estatal anunciou, na quinta-feira (11), a inauguração no dia 26 de agosto de uma nova usina de destilaria, que será implantada na Usina São José, localizada no município de Colinas, no estado de São Paulo.
Já os papéis da Vale encerram esta semana em queda. Na quinta-feira (11), o Conselho de Administração da mineradora aprovou a remuneração adicional aos acionistas no valor de R$ 4,855 bilhões (ou US$ 3 bilhões) em dividendos. O montante corresponde a R$ 0,933403176 (ou US$ 0,576780063) por ação em circulação, informou a companhia via comunicado ao mercado.
Resultados corporativos
Dando continuidade à temporada de divulgação de resultados cooporativos, a Eletropaulo reportou números piores do que o esperado e anunciou o corte no pagamento de dividendos, fato que não foi bem recebido pelo mercado. Enquanto isso, a Cyrela também revelou resultados pior do que as expectativas, com queda de 42,8% no lucro em comparação com o 2T10, além de ter revisado para baixo seu guidance para este ano.
Ainda nesta semana, ALL, Banco do Brasil, MMX, TAM, BM&F Bovespa, CPFL, Copel, AmBev, Braskem, CCR, Gafisa, LLX, BR Foods, GOL, Sabesp, OGX e MRV Engenharia.
QE3?
Na terça-feira (9), os investidores digeriram a reunião do Fomc, na qual os membros do Comitê discutiram sobre ferramentas de política monetária disponíveis para garantir uma recuperação mais forte nos Estados Unidos, entretanto decidiram não anunciar, por ora, um novo programa de estímulo ao país, além de manter também a taxa básica de juros norte-americana em seu menor nível histórico - no qual ela deverá permanecer até meados de 2013.
Banimento de short selling na Europa
A ESMA (European Securities and Markets Authority) proibiu a venda a descoberto de ações na França, Itália, Bélgica e Espanha. A autarquia também afirmou que punirá com veemência aqueles investidores que estiverem dispersando rumores no mercado. A decisão segue uma tendência já demonstrada em outros países - como Grécia e Coreia do Sul, além de haver restrições a essa prática em território alemão. Ademais, especula-se que a Turquia poderá fazer um movimento similar em breve.
Mantega comenta crise
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o mundo deve continuar tendo problemas econômicos nos próximos dois anos. "Não sei qual vai ser o desenvolvimento da crise, de qualquer formar, o que podemos afirmar é que continuaremos tendo problemas econômicos nos próximos dois anos", afirmou há pouco na comissão geral no Plenário da Câmara para explicar os efeitos da crise econômica internacional e as medidas que o Brasil vem adotando para enfrentá-la.
Segundo ele, a fragilidade dos países mais desenvolvidos vai retardar a superação da crise, sendo que a turbulência dos últimos dias vem de uma decepção dos mercados mundiais em função dos resultados econômicos dos EUA e da Europa.
Elevação do rating brasileiro
A agência de rating japonesa Rating & Investment Information elevou a nota de crédito do Brasil de BBB- para BBB, com perspectiva estável e afirmou que o País está menos vulnerável ao cenário externo em função de seu mercado interno robusto.
Itália anuncia medidas de austeridade fiscal
O governo italiano anunciou a aprovação de medidas de austeridade fiscal na sexta-feira, prevendo aumento em impostos e cortes em gastos públicos, com o intuito de alcançar a sua meta de equilíbrio no orçamento até 2013.
Agora, o parlamento italiano terá 60 dias para aprovar ou rejeitar o plano - que prevê cortes no déficit de € 20 bilhões de euros em 2012 e € 25 bilhões em 2013, o que fará com que esse desbalanço nas contas do governo italiano alcançem 1,4% do PIB do país já em 2012, sendo eliminado em 2013.
Agenda econômica da semana
No Brasil, o relatório Focus trouxe redução nas projeções da Selic e do IPCA para este ano. Quanto a taxa básica de juros, a projeção passou de 12,75% ao ano para 12,50% ao ano. Já a perspectiva para o IPCA em 2011 recuou de 6,31 para 6,28%. Enquanto isso, o IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna) marcou deflação de 0,05% em julho.
Ainda no front doméstico, o IGP-M variou 0,22% na primeira prévia de agosto, segundo dados divulgados pela FGV (Fundação Getulio Vargas). Em julho, no mesmo período, o indicador registrou taxa de -0,21%. Já o IBGE divulgou que as vendas do comércio varejista subiram 7,3% no primeiro semestre deste ano, na comparação com igual período de 2010, além de que a taxa de emprego na indústria brasileira aumentou 1,9% no 1S11, na mesma base de comparação.
Nos EUA, o orçamento do governo registrou déficit de US$ 129,4 bilhões em julho, de acordo com comunicado do Tesouro do país, enquanto o nível dos estoques no atacado norte-americano, mensurado pelo Wholesales Inventories, avançou 0,6% no mês de junho e foi 0,4 ponto percentual pior do que esperado pelos analistas.
Já o déficit na balança comercial dos Estados Unidos, de US$ 53,1 bilhões em junho, avançou em relação ao mês anterior, enquanto o Initial Claims registrou um total de 395 mil novos pedidos de auxílio desemprego na semana até 6 de agosto, frente às projeções que giravam em torno de 409 mil solicitações.
Ainda no front norte-americano, o volume das vendas ao mercado varejista norte-americano subiu 0,5% durante o mês de junho, segundo o indicador Retail Sales, que ficou com as expectativas dos analistas para o período e superou a medição de junho, quando houve alta de de 0,3%. Enquanto isso, o Michigan Sentiment, que mede a confiança do consumidor dos EUA na economia do país, apontou 54,9 pontos, resultado inferior do que as expectativas do mercado, de 62,5 pontos e à medição anterior, de 63,7 pontos.
Câmbio e Renda Fixa
O dólar comercial fechou cotado na venda a R$ 1,614 na venda nesta sexta-feira. A moeda norte-americana fechou a semana em alta de 1,70%.
No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, os contratos fecharam em queda. O contrato de juros de maior liquidez nesta semana, com vencimento em janeiro de 2013, registrou uma taxa de 11,86%, com queda de 0,43 ponto percentual na semana.
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado 137,63% de seu valor de face, alta de 0,095% na semana.
Já o indicador de risco-País fechou em alta de 30 pontos base, aos 210 pontos.
Confira a agenda da próxima semana
Dentro da agenda da terceira semana de agosto, destaque para os indicadores sobre a atividade industrial norte-americana durante o último mês e aos dados sobre a inflação ao produtor de julho.
No cenário doméstico, investidores devem ficar atentos para os indicadores de inflação, bem como ao vencimento de opções sobre ações e do Ibovespa Futuro, que devem movimentar o mercado.