![]() |
A falta de confiança acabou por afetar a economia real. A disparada do dólar, no caso do Brasil, atingiu algumas das nossas melhores empresas (Sadia, Aracruz e Votorantim). Expectativas já foram revistas e o fato é que o PIB mundial deverá crescer menos. Em momentos de crise como esse, as profecias brotam. São apostas de todos os tipos que acabam separando as pessoas em grupos. Tem os otimistas, os pessimistas e um grupo grande de pessoas no meio do caminho. O grupo do meio são aqueles que não estão confortáveis em fazer apostas com o seu dinheiro em meio à nuvem da incerteza. A experiência mostra que decidir em meio ao pânico favorece decisões irracionais e precipitadas. Talvez, otimistas e pessimistas do momento estejam nessa onda. Ouvir o Jornal Nacional e se assustar com algumas das manchetes da crise entrou na rotina dos brasileiros investidores. Analistas, Bancos Centrais, Consumidores, índices de inflação tornam-se mais do que fontes de informação, mas indícios sensacionalistas de um futuro não necessariamente real. Então, para separar o que de fato é a realidade daquilo que é fruto de atitudes emocionais, sugiro serenidade e uma linha de raciocínio. Olhemos os fundamentos. Vamos examinar o mundo real da economia. Pois, assim como em todas as crises, o fundamento e a realidade, cedo ou tarde, acabam prevalecendo e a onda de pessimismo acaba se esvaziando. Mesmo com a crise, as previsões para o crescimento da economia mundial em 2009 giram em torno de 2% e de 3% para o Brasil. Se isso acontecer, o que será da Petrobras? Tudo muda muito pouco. Ela continuará prospectando, extraindo e refinando petróleo. Continuará vendendo derivados. Bradesco, Itaú e Banco do Brasil não deixarão de movimentar o dinheiro de milhões de brasileiros. Empresas como essas não são apostas, são escolhas. Não se trata de comprar ações para ganhar no próximo mês, mas comprar empresas lucrativas que geram valor para os acionistas, que acreditam. Logicamente que algumas empresas deixarão de existir pois não estavam preparadas para a crise. Mas é preciso atentar para as diferenças. Se pudéssemos, como num passe de mágica, eliminar o pânico causado pela crise de crédito, qual seria a realidade das empresas brasileiras? Empresas como a Eletropaulo, com atividade estável e que deve pagar 20% do seu preço atual em dividendos aos acionistas nos próximos 12 meses, significam de fato uma oportunidade imperdível. E o que dizer da Vale, a maior exportadora de minério de ferro do mundo, com elevada posição de caixa e estrategicamente bem posicionada para fazer grandes aquisições. Isso são dados reais, não apostas. Mas nem todos analisam os fatos, muitos decidem em meio ao pânico de um mercado que por definição dá liberdade de comprar e vender a todo momento. Para aqueles que tem estômago para o risco e perspectiva de longo-prazo, comprar ações de boas empresas com o Ibovespa ao redor de 40.000 pontos pode significar uma ótima oportunidade de investimento. Fato é:
Essa é a linha que seguimos. Acompanhar de perto a realidade dos negócios e das empresas. Não seguir modismos, pois esses nos preparam armadilhas. Investir em empresas de boa gestão, histórico de bons resultados e capacidade para um futuro promissor. Investir capital é algo muito sério, não se pode ouvir os alarmistas-emocionais e querer apostar no curto-prazo em meio a uma neblina incerta que ainda distancia as pessoas dos fatos reais. Nem todos fazem desse modo, muitos dos afobados perdem dinheiro. E essa crise, quando passar, mais uma vez deve premiar a serenidade e o investimento inteligente de longo-prazo. Eduardo Cavalheiro, sócio-gestor da Rio Verde Investimentos São Paulo, 15 de outubro de 2008 *Eduardo Cavalheiro - Com mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro, construiu a reputação como um dos mais consistentes gestores de investimento no Brasil com destaque no Banco Fator, Unibanco, Sudameris e nos últimos cinco anos como sócio-gestor da Rio Verde Investimentos. |